A indignação dos intérpretes da UE com as regras do home office termina em greve
Autor: James Crisp
Traduzido por: João Paulo Duarte
Áudios de má qualidade e dificuldades técnicas têm tornado difícil a prática da tradução remota** durante os discursos dos congressistas do parlamento europeu.
Os intérpretes da União Europeia entraram em greve por conta das regras de trabalho em casa, pois áudios de má qualidade e dificuldades técnicas de forma geral, vem tornando impossível a tradução das intervenções dos deputados do Parlamento Europeu durante as sessões plenárias remotas.
Os intérpretes estão indignados com o fato de o Parlamento Europeu ter adotado novas regras sobre “conferências híbridas” após a pandemia da Covid-19, como informou o site Politico Europe.
Eles teriam avisado que entrariam em greve, a menos que houvesse uma revisão das regras de execução das falas durante as atividades online.
A situação ficou ainda mais inflamada quando o parlamento terceirizou a interpretação na última segunda-feira, dia em que a greve teria começado.
A AIIC – Associação Internacional de Intérpretes de Conferência – solicitou ao parlamento que “parasse de terceirizar” e exigiu melhores condições de trabalho para os intérpretes remotos.
As instituições da UE contam com 800 intérpretes com contratos permanentes e 3.200 freelancers que fornecem tradução de eventos ao vivo. A Comissão Europeia fornece interpretação para até 50 reuniões por dia.
Existem 24 línguas oficiais na UE, e a interpretação é fornecida rotineiramente, pelo menos em algumas delas, para plenárias de comissões e conferências de imprensa, com todas as 24 línguas cobertas em eventos de maior relevância.
A pandemia dificultou extremamente o trabalho dos intérpretes. Em vez de estarem com os palestrantes no mesmo ambiente, os profissionais foram forçados a usar um aplicativo online, porque muitas reuniões passaram a esta modalidade. O número de reuniões e, como consequência, a oferta de trabalho para os intérpretes freelance foram drasticamente reduzidas.
Não é a primeira vez que intérpretes entram em greve. Em 2018, “penduraram os microfones” quando o Parlamento Europeu decidiu aumentar o tempo máximo de permanência em cabines de interpretação de seis para oito horas.
A interpretação é fundamental em Bruxelas, mas o trabalho é exigente e estressante. Em março deste ano, um intérprete caiu em prantos ao traduzir um discurso emocionado de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, ao Parlamento Europeu.
*Nota: tecnicamente, tradução e interpretação são conceitos diferentes. Esta é a que se refere à linguagem falada e aquela, por sua vez, é a relativa à linguagem escrita. Para efeito de melhor compreensão do senso comum, o termo tradução foi mantido.